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VIOLA, CAIPIRISMO E BRASIL
Por: Carlos Pitty |
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Chora viola!
A música caipira, com a “cara”
do Brasil encerra em si sentimentos ao
mesmo tempo tristes e alegres, buscando
expressões do mais simples e ingênuo
até a malicia e irreverência
do homem do campo que com respeito busca
suas origens e explode trazendo o dia-a-dia,
sonhos e vivência de amores, encontros
e desencontros na mais pura emoção
da canção. Em momentos suas
histórias cantadas nos fazem lembrar
do teatro trágico grego ou ainda
shakesperiano, onde desencontros amorosos,
por exemplo, terminam em tragédia.
A viola tocada com emoção,
muitas vezes sem técnica ou tecnologia,
é o canto emocionado do homem da
terra que dela tira seu sustento e sua
força, sua nostalgia, inquietude
e expressões que revelam a imensidão
de sua alma. |
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É no ponteado que se refletem as batidas de
seu coração e registram sua espontaneidade
de alma pura e simples de homem, que usa seus sentimentos
como bússola para orientar seus hábitos,
costumes e colheitas.
Os versos cadenciados em oito silabas, rimando linhas
pares, fizeram clássicos da música caipira
e chegaram aqui nas primeiras caravelas, passando
pela mestiçagem dos indígenas e africanos,
ajudando a criar formas peculiares de cantos e danças
como o cateretê e a catira, à toada e
a melodia lânguida, juntou-se o pagode, ritmo
mais recente criado pelo saudoso Tião Carreiro,
e a moda de viola, fábula novelesca de uma
literatura musicada que traz histórias de irmãos,
amigos, amantes, crenças e descrenças
e especialmente amores, desamores; venturas e desventuras
de seres buscando serem felizes, valorizando cada
objeto, animal, nossa cultura, nossa gente.
A moda caipira pode ser considerada branca nas formas,
apesar de rica das rimas e também africana,
indígena e européia, trazendo e misturando
pensamentos, cultura e afetos de costumes e sentimentos
do sertão.
Nos campos e cidades, com a nostalgia que traz os
males e a dança que traz os pares, a música
raiz, valoriza as origens de cada um de nós.
Explícito ou escondido nos recônditos
das entrelinhas, fala de vazio, religiosidade, cultura
regional, saudade, dores e amores, pulsando sabedoria
nas mais simples expressões.
Na música caipira de raiz, quem tem voz é
o caboclo nativo e seus inúmeros filhos que
intuitivos, sonhadores, místicos, crentes,
dão verdadeiras lições de vida
e sapiência, mesmo que sem conhecer profundamente
a leitura e a escrita. Por instinto lêem os
sinais da natureza, interpretando a voz e a vontade
de Deus.
Nas asas da tradição, o caipirismo canta
querências e os saberes, poetizando a vida e
as experiências vividas com simplicidade trazendo
o linguajar característico regionalista.
Chora viola! E que teu pranto seja um grito de respeito
às tradições, lembranças
das conversas no alpendre, do café cheirando
no fogão a lenha e do calor da emoção
ao se contar e ouvir histórias quando havia
tempo para o “ser” e não para o
“ter”.
FOTO: VIOLA – Autor desconhecido – Direitos
reservados do autor
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