O
céu está nublado, a temperatura baixa.
Hoje estamos com menos 5 graus e o relógio
está marcando 5 horas e 56 minutos, vamos acordar
gente".
Os pássaros cantam. Mais parece um festival
de passarinhos. Eu ouço os cantos diversos
que me soam ao ouvido. Parecem várias músicas
em uma única só. O cachorro late, o
galo canta, o gado berra e o cavalo rincha.
Após lavar o rosto na água fria da torneira,
olho pela janela. O cenário é branco.
A terra deixou de ser vermelha, o verde da mata sumiu,
as plantas ficaram murchas. A geada fez sua parte...e
o sol se teima a sair.
Dentro de casa está quente, o fogão
a lenha aquece. Papai, mamãe e os irmãos
acordaram mais cedo do que eu...já está
tudo preparado. O café da manhã já
está á mesa. No rádio ouço
tocar música sertaneja. A voz do locutor de
linguajar simples e caipira me familiariza. A viola
soa como os cantos dos passarinhos. Os raios do sol
já ultrapassam as cortinas, ganhando vida,
avisando que o tempo passa e os deveres nos chamam.
Papai, mais meus irmãos mais velhos vão
para a roça, enquanto mamãe ficará
cuidando da casa. No rádio, o locutor dita
as notícias da manhã, os recados de
achados e perdidos, compra e venda. Avisa ainda; que
poderá chover. "Já passa das 06:30
da manhã é hora de ir para o trabalho,
e das crianças irem para escola. E você
amiga dona de casa, fique com a gente. Aqui fazemos
a sua companhia, o seu amigo de todas as manhãs,
e a música sertaneja e caipira bem do jeitinho
de nossa gente".
Se pode chover, mamãe diz que tenho que me
agasalhar bem. E ao rumo da escola me vou. Sigo meu
caminho, sigo o meu som. Hoje fico a lembrar dos tempos
de outrora, do trabalho do campo, dos amigos de escola.
Do fogão a lenha, do canto dos bichos e do
ponteio da viola...O tempo passou, e esse já
mais voltará...Ah que saudades que eu tenho
dos tempos de lá!